2015 – ADMINISTRAÇÃO – 50 ANOS –

postado em: Todas as Notícias | 0

Um relato de Administrador.

 

Minha trajetória pessoal se imbrica com a trajetória da profissão, que este ano completa 50 anos. Em janeiro de 1966, três meses após a regulamentação da profissão, ocorrida em setembro de 1965, ingressei no Curso de Administração de Empresas da UFRGS, sendo o primeiro administrador formado da Prefeitura de Porto Alegre, onde ingressei através de concurso público em 1962.

 

No início de 1979, fui convidado a integrar a Junta Administrativa do CRTA-RS na condição de conselheiro suplente. Na época, a plenária do então Conselho Regional de Técnicos em Administração estava com uma série de problemas internos o que levou a vários membros renunciarem, levando-me a assumir como titular e, em seguida, como presidente do órgão. As condições do CRTA-RS eram muito precárias na ocasião: cerca de 1000 inscritos, com uma inadimplência superior a 70%, não havendo recursos para honrar os compromissos cotidianos, como o salário de dois funcionários, uma recepcionista e um fiscal de nível médio, água, luz, etc. O ‘jeton’ se restringia ao ressarcimento da gasolina dos conselheiros que se deslocavam do interior do estado, quando viável.

O trabalho de equipe foi a marca desde o início da nova gestão. Contratamos estagiários de administração para atualizar o cadastro, promover cobrança das anuidades em atraso e de promover novos registros. Contratamos, também, um diretor executivo, um assessor jurídico, e um jornalista, para a identificação e defesa do mercado de trabalho e contato e interatividade com os Administradores.

 

Em 1979/80, estava sendo criado o Sindicato dos Técnicos de Administração-RS, oriundo da APTA-RS – Associação dos Técnicos de Administração do RS. Optamos por desenvolver um trabalho em conjunto. Dentre outras atividades, mantivemos, em parceria, o jornal CRTA-COMUNICA. Registre-se que os jornais, hoje, MASTER, o Jornal do Administrador do CRA-RS, e o ADMINISTRADOR EM AÇÃO, do Sindicato, tiveram origem comum no CRTA-COMUNICA, que foi um instrumento de interação entre os Administradores Gaúchos e suas entidades de classe. Ainda, enquanto o Sindicato criava Associações Profissionais no interior, o CRTA-RS instalava Delegacias, em especial, onde houvesse Faculdades de Administração. Procurávamos que nas formaturas houvesse sempre a presença das duas entidades, ou, no mínimo, de uma delas.

 

Ainda, em 1979, ao invés de se renovar 1/3 dos membros da plenária, os renovamos integralmente, buscando uma mobilização da categoria. Em 1980, foi criado o Forum dos Conselhos Regionais de classe do RS: Administração, Economia, Engenharia, Psicologia e Contabilidade, para melhor identificar e respeitar os respectivos mercados de trabalho. Ainda, neste ano, iniciou-se as Assembleias dos Presidentes dos 15 Conselhos Regionais, em torno de duas por ano, presididas pelo Conselho Federal dos Técnicos de Administração (CFTA), objetivando padronizar os procedimentos de fiscalização e valorização do mercado de trabalho.

 

No período de 1979/81, em que presidi o CRTA-RS, registro um agradecimento especial aos Administradores Gaúchos que souberam entender e responder ao chamamento que lhes foi dirigido, naquele momento inicial e difícil de um outro tempo para nossa profissão. Hoje, o CFA e o CRA-RS vivem o futuro que, então, sonhávamos, com recursos financeiros e excelente sedes próprias, não esquecendo que, um dia, no passado, nosso CRA-RS não dispunha de recursos financeiros sequer para pagar seu aluguel, e outros pequenos compromissos.

 

Em 1981, juntamente com a eleição de 1/3 do Regional, obtive a indicação, pelo voto universal direto, como candidato à Conselheiro Federal. Em janeiro de 1982, fui eleito como o primeiro Conselheiro Federal representando o Rio Grande do Sul, com mandato de três anos. Em 1984, repetiu-se o mesmo processo, para um 2º mandato.

 

Na gestão do Conselho Federal foi criada a Coordenação de Ação Parlamentar para acompanhar os Projetos de Lei junto ao Congresso Nacional de interesse da categoria; de 1984 a 1987, fiquei responsável pela Comunicação Social do Conselho Federal, oportunidade em que se deu ênfase à REVISTA ADMINISTRANDO, que, em 1987, chegou à tiragem de 35 mil exemplares, hoje, RBA-Revista Brasileira de Administração; em 1985, com um trabalho coordenado, conseguiu-se a alteração, por lei, da denominação de Técnico de Administração, com conotação de profissional de nível médio, para Administrador, condizente com a Ciência Administrativa, passando o CFTA para CFA, e os CRTAs para CRAs, definindo-se o atual Sistema CFA/CRAs. Esse passo foi decisivo no rumo da excepcional dimensão de reconhecimento e abrangência que, hoje, desfrutam os Administradores em todos os segmentos de trabalho da sociedade brasileira. Manteve-se, também, uma permanente articulação com Ministério de Educação em razão da má qualidade de alguns cursos de administração. Deliberou-se, ainda, pela instalação de um Conselho Regional em cada estado, instalando-se os Conselhos de Sergipe e de Alagoas. No período em questão, exerci os cargos de Diretor Administrativo, Diretor Financeiro e, por fim, o de Presidente.

 

Entre 1987 e 1988, período em que exerci a Presidência do CFA, com o plenário, fizemos, também, uma excelente parceria de trabalho com a FENAD-Federação Nacional dos Administradores pela afirmação dos administradores brasileiros. Presidimos o 8º ENBRA-Encontro Brasileiro dos Administradores, em Belém do Pará, conhecido como o ENBRA da Transição. E, no final de nossa gestão, instalamos o CRA do Maranhão, em São Luís.

Neste momento especial de comemoração dos 50 anos de regulamentação profissional, faço votos que os Administradores, de ontem, de hoje e de amanhã, saibam preservar, consolidar, e ampliar os espaços profissionais conquistados, dominando um álbum de tecnologias em todos os segmentos de nossa profissão, para que tenhamos sempre motivos a comemorar.

 

Por fim e para um futuro imediato, fica o desafio ao Sistema CFA/CRAs de  profissionalizar a Gestão Pública nos três níveis: federal, estadual e municipal, despartidarizando-as, e reduzindo, também, os milhares de CCs e as diferenças de remuneração. E cabe a proposta de que os Administradores se identifiquem com sua profissão e lutem para sua valorização. Meu orgulho é compartilhar minha trajetória pessoal com a trajetória da nossa profissão. Espero que esse seja um desafio para todos nós, Administradores.

Adm. Heroni de Assunção Jacques,

CRA-RS 1.334

Set.2015.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

7 + 5 =